O Jovem é Capitalista Consciente - por Thomas Eckschmidt | Capitalismo Consciente

Artigos

10 Fevereiro, 2019

O Jovem é Capitalista Consciente

O despertar do jovem para o trabalho de alto impacto e geração de prosperidade
 
    O capitalismo, em sua essência, é um sistema fundamentalmente ético, pois está baseado na troca voluntária entre as partes envolvidas. No entanto, esta ideia vem se desvirtuando ao longo dos anos e perdeu muita credibilidade, principalmente entre os jovens no mundo inteiro.

    Essa indignação resultou em uma série de movimentos para repensar, reciclar e reformular o capitalismo atual. Assim, desde o final do século passado e início deste século, uma série de movimentos surgiram com essa intenção: capitalismo inclusivo, capitalismo criativo, capitalismo colaborativo, economia compartilhada, B Team, Sistema B e muitos outros.

    Tal reformulação somente foi possível porque a humanidade encontra-se em um momento único: temos o maior nível de escolaridade que a humanidade já alcançou; mais acesso à informação do que jamais ocorreu na história; estamos mais conectados, com mais linhas telefônicas ativas do que habitantes; e, principalmente, temos o maior contingente de jovens da história da humanidade. Tudo isso contribui com o redesenho de soluções econômicas para resolver os problemas que até hoje não foram resolvidos.

    Com isso, o que notamos é que todos esses movimentos têm um denominador comum, já que, em maior ou menor grau, podemos identificar os fundamentos do capitalismo consciente presentes nessas diversas reinterpretações do capitalismo mencionadas anteriormente. Estes fundamentos estão diretamente ligados com essa força jovem:

- propósito evolutivo - assim como toda organização, seja ela com ou sem fins lucrativos, precisa ter uma causa, um porquê ela existe, os jovens não se engajam mais em trabalhos sem causa, em que o foco seja apenas no lucro e não no impacto ou na transformação positiva, e cada vez menos jovens querem se associar a marcas sem propósito.

- integração dos envolvidos - não é mais aceitável nas relações comerciais ou da cadeia produtiva que uma parte da equação tenha resultado negativo. Os jovens entendem a ideia de ninguém ficar para trás, de ninguém ser melhor do que ninguém. Vivemos em um mundo de maior abundância, não se aceita mais que o valor não seja compartilhado.

- cultura responsável - as organizações, assim como as ONGs, passam a ser um movimento pela prosperidade. O jovem se engaja em movimentos regidos por valores, e organizações que não promovam a integração dos envolvidos através de uma causa não conseguem mais criar uma cultura que seja responsável para criar prosperidade coletiva e colaboração.

- liderança servidora - por último, mas não menos importante, é a nova forma de liderança. Deixamos a era dos valores exclusivamente masculinos de liderança e o predomínio da abordagem de comando e controle; o jovem quer autonomia para ser o que é e busca líderes que inspiram e educam através da jornada de uma causa de alto impacto na sociedade.

    Desse ponto de vista, não há como não reconhecer que o movimento empreendedor no mundo é uma das expressões mais profundas e fiéis de um capitalismo mais consciente que está surgindo. Ele abarca os quatro fundamentos de um capitalismo mais consciente.

    Ninguém que começa um negócio hoje, começa para ser maior, mas para ser melhor. Isso já é uma indicação de um propósito que vai além do lucro. A liderança é outro destaque, aqueles que empreendem estão liderando a sua própria jornada e impactando positivamente aqueles ao seu redor. Nessa toada, quem empreende, que sozinho não chega a lugar nenhum e com isso já busca parcerias o que é uma indicação de uma terceira fundamentação, reconhecer a interdependência e criar laços mais fortes com todos envolvidos. A cultura responsável passa a ser uma consequência dessa jornada.

    O livro que escrevi em coautoria com Raj Sisodia tem como objetivo ajudar nessa jornada de trazer à consciência esse novo modelo econômico. O "Capitalismo Consciente Guia Prático" será lançado no final de agosto de 2018 e já está disponível no site da Editora Voo, www.editoravoo.com.br, que, por sua vez, também é uma organização com propósito - publica livros que mudam pessoas, para que pessoas mudem o mundo.

Thomas Eckschmidt
Cofundador do Instituto Capitalismo Consciente Brasil
Cofundador do movimento Conscious Business Journey (www.cbjourney.com)
Cofundador da ResolvJa, empresa certificada B com propósito de democratizar o acesso à justiça.
Coautor do livro "Conscious Capitalism Field Guide" (Harvard Business Press)